TEU PAU DE PIJAMA

Escuta aqui, seu gordo bicha: eu consigo superar a orquídea na mesinha da sala. Sou boa nisso. Daqui a dois dias vou ter esquecido a brancura dos teus pés contra o chão do banheiro e do teu desejo secreto de ser uma revendedora da Avon. Por sorte esse mundo é composto de três bilhões de homens e três bilhões de mulheres e quem me conhece sabe que eu corto pros dois lados. Não vai ser problema encontrar as tuas rugas na cara de outros e sempre que eu boto o pé no ônibus encontro várias baleias brancas loucas para jantar no Mc Donalds. Até essa cafeteira na sala eu vou apagar da minha memória recente e na próxima vez que tomar um expresso vou estar me f-o-d-e-n-d-o para essas tuas manias de europeu tropical. Vou esquecer dos teus livrinhos organizadinhos por tamainho e vou botar a minha bunda no sofá de tantos homens que nem vou lembrar da cor de caramelo do teu. Vou tirar os óculos da cara de tantas pessoas que não vou mais saber que fiz pela primeira vez contigo.  Vou te apagar com tanta perfeição que daqui a seis meses cada gota de suor tua vai ter sido lavada por outro corpo sobre o meu.

 No final do dia eu vou deitar minhas bochechas no travesseiro com a certeza de que não resta mais nada teu em mim, absolutamente nada exceto… teu pau de pijama.

Urso. A noite estava tão convencional até o momento em que a tua calça xadrez bagunçou a ordem das coisas e eu soube que não ia encontrar um substituto para a tua rola coberta por 80 % algodão e 20 % viscose. Isso, vem comigo. Senta aqui do meu lado com esse pratinho de sanduíche que eu te explico a tara que eu tenho por uma coisa macia encostada em outra coisa macia. Deve ser como as taras que as mulheres tem por cheiro de bebê, loção de bebê e roupa de bebê, com a diferença de que eu voltei uns nove meses nesse gosto e agora falo diretamente com o instrumento. Me acompanha enquanto eu te digo que teu quarto todo vai ser reduzido a minha mão em contato com o tecido que toca no teu pau, porque nesse momento tudo que tu fez ou deixou de fazer pode e vai ser apagado, e no final das contas o que vai restar para mim não é a tua voz bonita nem os filmes que nós assistimos juntos, o que eu vou ter para sempre é essa punheta por cima da calça do pijama. Baba pra mim, baba que quando eu ver uma manchinha nesse tecido eu vou saber que chegou a hora de te segurar com mais força e esperar tu me implorar pra te tirar para fora da calça, mas eu não vou te tirar, eu vou te deixar latejar debaixo dessa estampa xadrez, minha mão agarrada na tua cabeça melada e teus olhos fechados, quanta aguinha esse pau consegue dar até que saia a porra? Baba mais pra mim, me dá esses gemidos de homem enquanto eu mamo a tua cabeça por cima do tecido, são cinco horas da tarde e eu to aqui cuspindo no teu pau sem conseguir ver ele, tu quer quadro melhor que esse? Eu continuo te chupando mas a minha vontade  é de pegar uma tesoura e fazer um buraco nessa tua calça, te fazer desfilar pelo apartamento inteiro com o pau pra fora, desfila pra mim sua puta, uma vez putinha sempre putinha e se depender de mim esse teu pau nunca mais vai sair do buraco do pijama, vou ver teu medo estampado na cara por gostar de ser minha cadela e no final do dia eu vou ser tua dona como nenhuma mulher ou homem vai ser. Mas não te assusta, piranha. A minha boca está cheia de porra e de pano e um dia eu vou ter esquecido dos móveis do tapete e do cheiro do carro, vou ter esquecido tudo, tudo, menos do teu pau de pijama.

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3 comentários em “TEU PAU DE PIJAMA”

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