AUGUSTA DECIDE VIVER

Eu comprei um daqueles gravadores antigos para comprovar que ela roncava, já que só assim ela acreditaria.  Dizer que roncava ou que um unicórnio tinha passado a noite pastando no carpete do quarto dava no mesmo, sabe. Ela era meio ver para crer.

“Sessenta e cinco”, um japinha disse. Sessenta e cinco reais. Quatro velocidades. Entrada para fita. Vários botões coloridos. Não entendi nada e guardei o troco no bolso da calça.

Coloquei o gravador sobre a mesa do lado da cama e dei uma disfarçada com uma pilha de revistas Veja. Assisti dois episódios de Breaking Bad com ela e fui dormir pensando na reação dela diante da minha prova concreta e indiscutível.

Descobri que eram peidos. Longos peidos, e não roncos.

Eu não conseguia parar de rir. Na verdade, eu não conseguia nem encontrar o botão para repetir a gravação. Depois que meu estômago parou de doer, comecei a pensar se deveria contar para ela. Peidos são piores que roncos, eu acho. Mais constrangedores. E depois fiquei me perguntando como é que eu nunca tinha notado nenhum cheiro de esgoto durante esse tempo todo.

Quando ela chegou com as compras do mercado, eu estava vendo a continuação de Breaking Bad. Tentei me manter sério, mas só conseguia pensar na frase “Augusta respirando pela bunda”. Desatei a rir e mostrei o áudio.

Não sei por que eu achei que ela fosse acreditar que a gravação era dela.

Ela não só não acreditou como ficou puta por eu estar assistindo aquele episódio sozinho. Aí resolvemos colocar o gravador na cama, entre nós dois. No dia seguinte foi ela que apertou o botão de reprodução.

Os barulhos estavam muito mais altos. Na verdade, era impossível confundir aquilo com ronco. Foi meio nojento, mas muito engraçado. Ela riu um pouco, e depois me mandou admitir que era eu quem estava fazendo os barulhos.  Jurei que não, mas sem esperar que ela me levasse a sério.

Ela só foi acreditar em mim naquela semana em que voltei para o interior para ver a minha mãe. Nunca perguntei o que fez ela a ligar o gravador antes de dormir sozinha, mas acho que foi para implicar comigo depois.

Dessa vez, ela acreditou. E foi ao médico.

Impressionante como as coisas que são muito engraçadas podem se tornar muito tristes, né? Era câncer.

Quando ela ligou, foi minha vez de não acreditar. Quando ela começou a falar de quimioterapia, peguei as chaves do carro.

Como o problema era no intestino, ela ia fazer a colostomia na sexta. Colostomia é um furo que fazem do lado da barriga para que a merda saia por lá, ao invés de sair pelo cu. Foi isso que ela me disse. Eu nem sabia que isso existia, mas resolvi não fazer muitas perguntas. Ela parecia nervosa.

 Quando ela voltou da sala de cirurgia, me disseram que tinham retirado um pedaço para análise e que tudo tinha ocorrido bem.

Em casa ela me mostrou o furo. E a bolsinha.

Basicamente, a merda fica saindo o tempo inteiro pelo furo, e é armazenada em uma bolsa plástica, que fica colada na barriga. Perguntei se ela queria ajuda “com tudo aquilo” e ela me disse que não. Perguntei quando saia o resultado da biópsia, e ela falou que não sabia.

Uma semana depois ela ainda não sabia.

Decidi não perguntar mais e achei que o melhor que podia fazer era manter a nossa vida mais normal possível, fora o sexo. Não queria que ela se sentisse obrigada a nada. O problema é que ninguém fala muito sobre o quão pode ser delicado ser companheiro de alguém com câncer. O corpo dela estava debilitado, mas o meu não. E por mais que eu estivesse triste, eu precisava dar aquela gozada.

Voltei a me sentir com treze anos de novo, batendo punheta durante o banho.

Até o sabonete eu comecei a encarar de forma diferente. Já lavava a cabeça da rola dando aquela ordenhada, e acabava gozando no ralo mesmo.

Não sei se ela sabia como eu andava me aliviando, mas se sabia, não parecia se importar. Na verdade, fora essa parte, nossa rotina continuava a mesma. Víamos Braking Bad, comíamos sanduíche de peito de peru sentados na cama e dormíamos abraçados. Era bom.

Óbvio que eu sentia falta de foder, mas ela era tão linda. Tipo, linda em tudo. Foi a primeira vez que eu me dei conta o quanto eu amava de verdade, eu acho. E isso me deixava um pouco triste, principalmente durante as bronhas, ou quando ela dava uma risada meio fanha que era esquisita e bonitinha.

Eu tava na punhetinha quando ela recebeu a ligação. Sei disso porque é fácil ouvir o telefone dentro do banheiro. Ela falou por muito tempo, eu acho. E comecei a ficar preocupado.

E aí entrou dentro do box comigo de roupa mesmo, e baixou a calça. Me mandou meter no rabinho. Eu nunca fui muito de comer cu, mas passei condicionador na bundinha e mandei ver. E comer aquela rabeta quentinha depois de tanto tempo na mão foi muito bom demais. Explodi quando comecei a ver as perninhas dela tremendo de gozo.

Virei ela de frente para mim e aí percebi a bolsinha. Estava inflada como um balão. Nos secamos na  mesma toalha, deitamos na cama e choramos muito. Não precisei perguntar sobre o telefonema.

Durante a madrugada, acordei com o pau quente. Era ela, mamando. Acendi a luz da cabeceira e perguntei se ela queria mesmo fazer aquilo. Ela respondeu cospindo na minha rola e punhetando mais rápido. Quando achei que ia gozar, ela veio com a boceta e encaixou no meu cacete.

Ela sentou, uma, duas, três vezes, e a bolsinha começou a inflar. E cada sentada, eu via aquela sacolinha plástica cada vez maior. Mais redonda Eu sentia o pau no útero. As unhas fincadas. Os gemidos dela virando gritinhos. Os olhos fechados. E a bolsa. Maior do que nunca, para lembrar que daquela foda não poderia nascer outra vida. Redonda como as tetas dela. Cada vez mais inflada. Cada vez mais.

Até desgrudar do corpo dela com um som úmido que me lembrou boceta encharcada.

O cheiro quente de merda impregnou o quarto. Ela arregalou os olhos e parou de sentar. Puxei ela pelos cabelos e meti a língua dentro daquela boca. Pouco me importava a merda líquida que saia do buraco da barriga. O lençol com pequenas poças marrons.  Enfiei a língua com mais força e ela voltou a rebolar no meu caralho.

Cada vez mais forte.

Cada vez mais rápido.

Ela deitou de lado e apontou o furo da barriga.

“Come, vai.”

Olhei pro meu cacete e para aquela merda toda.  Não pensei duas vezes.

Eu queria cada buraco dela.

 

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