IN ROLA WE TRUST

Pouca gente sabe disso, mas o lado em que um homem guarda o pau dentro da cueca tem tudo a ver com sua posição política.

A regra é simples: simpatizantes da esquerda guardam a rola para o lado esquerdo, direitistas guardam o pingulim para o lado direito. Protesto, bandeira do Brasil, imagenzinha no Facebook? Tudo balela. Afinal, basta ter mais de quinze anos de boceta para perceber que homem diz qualquer coisa para foder.

Há muito tempo eu desisti de falar com a cabeça de cima: acerto tudo com a de baixo para não criar decepções futuras. Quer saber se o querido toma banho? O pau responde. Está sendo traída? Se você for boa de paladar, umas lambidinhas separam você da resposta.

Eu tinha uma amiga que jurava que sentia gosto de buceta quando mamava o marido. Na época eu achava ele um santo e dava risada. “Que paranoia é essa, Maria Lúcia?”

Dois meses depois o queridão estava morando com a estagiária.

Depois dessa criei o lema In rola we trust e sigo todos os dias da minha vida.

Na verdade, seguia. Até ele aparecer.

Lindo, limpo, e ainda por cima circuncidado. Poderia ser o homem perfeito se não guardasse a pingola para frente. Isso mesmo: para frente. Reto e para baixo, como um maldito penhasco de desenho animado.

Na primeira vez em que fui mamar desconfiei, na segunda tive a confirmação e na terceira comecei a chupar puxando a boca para a esquerda para ver se ele tomava alguma consciência de classe.

Confesso que na quinta vez baixei a cueca esperando alguma mudança, mas as coisas continuavam as mesmas por ali. Firme, inabalável, de centro. Por mais que ele não dissesse, aquela rola berrava neutralidade.

E todos nós sabemos que pior do que um homem de direita só um homem neutro.

A grande merda é que eu já estava apaixonada, por isso tentei de tudo: Fórum Social Mundial, rebolar para a esquerda, vídeos do Jean Wyllys…

E nada.

Nem uma entortadinha.

Parti para a guerra: dei camiseta vermelha de aniversário, Manifesto Comunista em quadrinhos. Tentei transar de ladinho, punhetar de cantinho, lamber mais a bola esquerda para ver se estimulava algum fluxo sanguíneo.

Ele era imperturbável, irredutível, defensor de bosta nenhuma. Não criava brigas no Facebook, não excluía familiares em dia de votação, não possuía cor preferida, não ficava alterado quando alguém escrevia em caixa alta.

Enfim, desisti da luta.

Fomos morar juntos.

Compramos pratos e copos.

Adotamos um cachorro.

Finalmente, comecei a dar o cu.

Dois dias depois, Fernando César curtiu a página Bolsonaro 2018.

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15 comentários em “IN ROLA WE TRUST”

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