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JORGE RICARDO

Jorge Ricardo esteve aqui. Jorge Ricardo esteve aqui, esvaziou o armário da cozinha e encheu meu estômago de porra. Antes disso Jorge Ricardo brincou com o gato, fumou três cigarros e derrubou suco de laranja no tapete da sala. Jorge Ricardo contou piadas ruins e gargalhou. E agora os pelos do meu gato estão virados para o lado errado como se dissessem: Jorge Ricardo esteve aqui. Agora a mancha amarela no chão da sala me conta detalhes sobre as mãos de Jorge Ricardo, delicadas como a de uma mulher. Eu deito a minha bunda na cama e o cinzeiro do criado-mudo me diz que talvez eu não devesse mentir para Jorge Ricardo que também fumo, mas as paredes respondem que precisam daquela risada esfumaçada e eu prefiro dar razão a elas. Eu fecho meus olhos sabendo que deveria estar passando veja multi-uso naquela poça do tapete, sabendo que deveria fazer uma lista com as coisas que estão faltando no armário, mas eu fecho meus olhos com mais força e resolvo ficar parada, ciente que eu deveria estender meu braço e guardar na gaveta o cinzeiro que só sei de lá quando Jorge Ricardo vem, tendo certeza de que eu deveria tirar essas latas de Heineken da escrivaninha, mas ao invés disso eu bebo o restinho delas e começo a chorar porque algo me diz que dessa vez Jorge Ricardo não volta. Algo na maneira com que ele fechou a porta me disse que seria a última vez que Jorge Ricardo derrubaria algo no meu tapete, e sabendo disso eu me levanto e pego a última garrafa da geladeira enquanto lamento ter chamado a diarista para amanhã já que sei muito bem que ela vai esfregar o tapete, abrir as janelas e tirar com a vassoura cada resquício de Jorge Ricardo desse apartamento.

Jorge Ricardo não volta, eu digo para o gato. Não adianta me olhar assim que ele não volta, eu digo de novo. Jorge Ricardo não volta. Meu gato me ignora e eu começo a chorar mais alto e me dou conta de que ou corro para o vaso ou mijo na cama. Então eu abro a porta do banheiro e sou invadida pelo cheiro quente da merda de homem. Do meu homem. Eu tranco a porta, desligo a luz e começo a respirar fundo, cada vez mais fundo, meus pulmões cada vez mais cheios de cheiro de bosta e eu cada vez mais ciente de que essa vai ser a última vez que eu respiro o cheiro do Jorge Ricardo. Eu inspiro, respiro, inspiro não sei quantas vezes até começar a ter certeza de que não sinto mais a bosta, de que meu despertador vai tocar a qualquer momento e de que eu quero permanecer nesse banheiro para sempre, quero que o dia de ontem se repita para Jorge Ricardo cagar de novo no meu banheiro, eu quero que Jorge Ricardo cague no meu banheiro por todos os dias da minha vida, eu penso, e quando o despertador começa a tocar de fato eu caio de joelhos no piso frio, me inclino para o cestinho de lixo e abro com cuidado cada papel higiênico e quando me dou conta estou lambendo eles e algo dentro de mim me diz que é como lamber o pau de Jorge Ricardo ou qualquer outra parte dele. Minha boca tritura os pedacinhos de bosta e engole os últimos pedacinhos de Jorge Ricardo que sobraram.

Eu olho para a privada e choro enquanto vomito Jorge Ricardo da minha vida.

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IN ROLA WE TRUST

Pouca gente sabe disso, mas o lado em que um homem guarda o pau dentro da cueca tem tudo a ver com sua posição política.

A regra é simples: simpatizantes da esquerda guardam a rola para o lado esquerdo, direitistas guardam o pingulim para o lado direito. Protesto, bandeira do Brasil, imagenzinha no Facebook? Tudo balela. Afinal, basta ter mais de quinze anos de boceta para perceber que homem diz qualquer coisa para foder.

Há muito tempo eu desisti de falar com a cabeça de cima: acerto tudo com a de baixo para não criar decepções futuras. Quer saber se o querido toma banho? O pau responde. Está sendo traída? Se você for boa de paladar, umas lambidinhas separam você da resposta.

Eu tinha uma amiga que jurava que sentia gosto de buceta quando mamava o marido. Na época eu achava ele um santo e dava risada. “Que paranoia é essa, Maria Lúcia?”

Dois meses depois o queridão estava morando com a estagiária.

Depois dessa criei o lema In rola we trust e sigo todos os dias da minha vida.

Na verdade, seguia. Até ele aparecer.

Lindo, limpo, e ainda por cima circuncidado. Poderia ser o homem perfeito se não guardasse a pingola para frente. Isso mesmo: para frente. Reto e para baixo, como um maldito penhasco de desenho animado.

Na primeira vez em que fui mamar desconfiei, na segunda tive a confirmação e na terceira comecei a chupar puxando a boca para a esquerda para ver se ele tomava alguma consciência de classe.

Confesso que na quinta vez baixei a cueca esperando alguma mudança, mas as coisas continuavam as mesmas por ali. Firme, inabalável, de centro. Por mais que ele não dissesse, aquela rola berrava neutralidade.

E todos nós sabemos que pior do que um homem de direita só um homem neutro.

A grande merda é que eu já estava apaixonada, por isso tentei de tudo: Fórum Social Mundial, rebolar para a esquerda, vídeos do Jean Wyllys…

E nada.

Nem uma entortadinha.

Parti para a guerra: dei camiseta vermelha de aniversário, Manifesto Comunista em quadrinhos. Tentei transar de ladinho, punhetar de cantinho, lamber mais a bola esquerda para ver se estimulava algum fluxo sanguíneo.

Ele era imperturbável, irredutível, defensor de bosta nenhuma. Não criava brigas no Facebook, não excluía familiares em dia de votação, não possuía cor preferida, não ficava alterado quando alguém escrevia em caixa alta.

Enfim, desisti da luta.

Fomos morar juntos.

Compramos pratos e copos.

Adotamos um cachorro.

Finalmente, comecei a dar o cu.

Dois dias depois, Fernando César curtiu a página Bolsonaro 2018.

JOGO DO BISCOITO

– A gente pega uma dessas bolachas  aí e coloca na mesa. Tem que gozar em cima dela, entenderam? O último que gozar come.
– Trakinas sabor porra!
– Recheio especial. E aí, topam?

O Marcos sempre tinha essas ideias de merda, sempre mesmo. Quando eu tinha cinco anos ele me convenceu a colocar o pau naquele buraco que suga a agua da piscina. Velho, que dor mais fodida. Eu devo ser o único cara do mundo que foi circuncidado por ter machucado o peru no sugador. Ta certo que ter escondido o machucado da minha mãe durante uma semana contribuiu pra isso, mas essa é outra história. Só sei que eu olhei pros caras e quando vi todos já estavam em volta da mesa berrando para eu pegar a bolacha. Tirei uma trakinas do pacote e botei na mesa. O Marcos abriu ela ao meio daquele jeito que a gente faz quando é criança e quer comer o recheio antes.

– Vamos criar uma multa pra quem perder.
– Como assim?
– Uma multa, velho. Pro cara não desistir de papar.

Então o Marcos sugeriu que o perdedor desse a bunda para o grupo e todo mundo achou genial. Se o Marcos sugerisse que todo mundo comesse merda eles iam continuar achando genial. As vezes eu achava que era o único com cérebro. Só sei que depois de concordar com a multa os caras não falavam mais nada, acho que ninguém queria tirar a benga para fora primeiro. Eu tava mole e ficava pensando se os caras tavam assim também.

Olhei pro Marcos e o filho da puta tava abrindo o zíper bem devagarinho, parecia propaganda de cueca da Men’s Health com a exceção de que nenhum cara de propaganda ia ter aqueles dentes amarelos. Aí ele meteu a mão e puxou uma cabeçona roxa para fora da cueca. Brother, eu nunca tinha visto um negócio daqueles. Não que eu tenha visto muitos paus na vida mas o cara da aquela olhadinha no mictório as vezes, né. Aí eu comecei a pensar que uma cabeça daquelas devia fazer uma massagem gostosa dentro das  mulheres e que era por isso que todas elas ficavam com o Marcos, elas nem deviam se importar com aqueles dentes porque sabiam que dentro da calça dele tinha um cacete cabeçudo que mal ia conseguir entrar na boceta delas, elas deviam contar umas para as outras sobre o cacetão e por isso esse filho de uma égua sempre tava comendo alguém.

Parei de pensar nisso e quando eu vi ele tava tocando uma punheta bem de leve com a rola toda pra fora da calça, deu pra ver que a cabeça já estava babando aquela aguinha e eu lá, com a braguilha fechada ainda. Aí ele falou “qual das bonecas vai mamar primeiro?” e sei lá, da uma vergonha admitir isso mas eu fiquei de pau duro, eu nunca tinha pensado em mamar uma rola antes mas fiquei imaginando como devia ser para uma mulher encher a boca com aquele caralho, fiquei pensando que se fosse uma mulher ia ficar dando lambidinhas na baba do pau enquanto mamo no ganso. Puxei meu zíper e olhei os outros caras fazerem a mesma coisa, puxei minha benga para fora e comecei a tocar meio tímido, os outros também estavam todos assim até o Marcos começar a acelerar na punheta e dar uns grunhidos, logo em seguida ele se debruçou na mesa e todo mundo viu aquele cacete esporrar bem em cima da bolacha, aquela porra  grossa nunca parava de sair, o cara tava gozando fazia uma eternidade e aí todo mundo começou a mandar ver na bronha, mal dava pra ver a benga do Roger de tão rápido que ele mexia a mão. Não deu um segundo e ele direcionou o pau pra bolacha e gozou uma aguinha transparente por cima daquele chantilly do Marcos. Que momento humilhante. Acho que o Roger achou também porque logo depois de gozar ficou olhando pra baixo ao invés de olhar pros caras que ainda não tinham gozado.

 O Marcos não guardou a piroca depois da gozada e ficou com ela de fora balançando, até mole a cabeça era enorme. Faltava eu, o alemão e o Japa e eu já tava querendo gozar, a cada olhadinha que eu dava para aquela jeba molenga eu ficava com vontade de ir lá e roçar o meu caralho duro nele, ia gozar na cabeça dele, os nossos paus todos gosmentos iam ficar se esfregando até ele ficar duro e soltar toda porra.

Nessas o Japa gozou e ficou entre e eu o Alemão. Os caras só olhavam pra mim e pra ele. Só sei que ver o Marcos olhando pro meu caralho começou a me dar um troço. Na real eu tava orgulhoso dele estar me vendo assim, com o cacete latejando. Tenho umas veias do lado do pau que ficam enormes quando eu to pra gozar e elas estavam bem assim, eu ficava inclinando o caralho pro lado para ele ver melhor as veias, aí nessa de inclinar comecei a pensar que comendo aquela trakinas eu ia provar o leitinho do Marcos, tudo bem que ia ser misturado com a porra nojenta dos caras, mas mesmo assim ia sentir aquela porra grossa na boca e com certeza ia diferenciar ela das outras, comecei a punhetar cada vez mais devagar, o Alemão tava desesperado olhando para a bolacha e isso só fazia ele demorar mais para gozar, o cara parecia desesperado de verdade e as bochechas dele começaram a ficar vermelhas, todo mundo começou a rir dele menos eu, eu tava me segurando…

Então o Alemão gozou.

Todo mundo olhou pra mim. Forcei uma cara de nojo.

TRENZINHO

Olha, sempre que eu conto o que aconteceu com a Roberta me perguntam se eu não poderia ter resolvido a história toda com uma puta, então já vou adiantando que não, entendeu? É tipo aquilo, o cara pode pagar quinze pila no buffet e comer bem, mas não da pra comparar com o almoço na casa da mãe. O negócio é que pra mim tinha que ser de graça, então logo casei com ela. Eu tenho um primo que só fode lambendo o pé da esposa e é bem o que ele disse, o negócio é ir acostumando a mulher aos poucos que quando tu vê já ta fazendo de tudo. O detalhe é que a minha vontade não era chupar dedão, então na primeira semana eu só colava o ouvido na porta e resolvia o assunto na mão mesmo. A minha sorte é que a Roberta sempre dá uns peidões depois de foder. Aí sempre vinha com aquele papinho de ar na buceta e saia correndo pro banheiro. Ar o cacete. Ela tava era soltando o maior barro, a safada. E vou te contar que fui desenvolvendo umas técnicas, né.  Botava pra foder no colinho e já era, dava vinte minutos e tava ele trancada no banheiro.

Claro que isso foi antes de eu ir abrindo o jogo. No começo fui pedindo pra ela não se trancar mais, mas acho que ela era meio sonsa ou se fazia, porque sempre passava a chave. Resolvi tentar de outra maneira aí sempre depois que a gente trepava eu já ia berrando que fechar a porta era frescura, a gente é casado ou não, porra? Só sei que o dia que ela deixou aberta assim que eu vi ela soltar um peidinho meu cacete ficou uma pedra, e olha recém tinha comido ela. Fiquei ali durão vendo a cara dela de quem tava fazendo força. Ta vendo que só de lembrar eu já fico duro, né?  Mas eu não mostrava pra ela.  Passei o mês só na manha: trepava, depois via a cagada e ficava tão na pilha que assim que ela voltava pra cama comia de novo. Ela já parecia acostumada então no final quando eu resolvi mostrar que ficava duro vendo ela fazendo bosta era de se esperar que já soubesse, né? Mas pior que a filha da puta ficou ofendida. Fechou a cara e não falava mais comigo por nada, disse que isso aquilo era doença e mais um monte de mimimi que eu não tenho nem saco de lembrar.

Aí que a gente não tava se falando mais nem quando eu chegava em casa e fazia umas três semanas que tava assim, ela nem pra dar bom dia e eu de pau seco. Contei o problema pra aquele meu primo que curte pé e ele sugeriu não fazer mais o rancho da semana, deixar ela passando fome mesmo. Eu disse que não, primeiro que sou contra violência e segundo que ela não ia ter material pro bolo. Resolvi que ia resolver o problema do meu jeito e fiquei naquelas de não falar com ela. Passou mais umas duas semanas e ela começou a vir de noite toda cheia de ranço me fazer cafuné e sabe o que eu fazia? Virava pro lado e puxava o ronco. Ficamos nessas por mais um mês até que um dia ela desatou a chorar e me falou que não aguentava mais nada, que era pra eu dizer o que ela podia fazer pra gente se dar bem de novo.

Isso prova que o cara sempre pode resolver as coisas do jeito dele. Levei ela pro banheiro, baixei a calça e sentei no vaso. Aí olhei pra ela e falei que tudo bem, que era só ela levantar a camisola e sentar bem na minha frente, calma que tem espaço pra nós dois aqui, eu disse. Na hora pensei que ela não ia topar mas ela limpou a cara de choro e sentou comigo. Comecei a tocar de leve no grelinho dela e senti que ela foi relaxando. Brinquei até ela se melar toda aí apertei a barriga dela de leve e falei: faz teu cocozinho, amor, faz. Ela ficou meio  tensa aí voltei pra bocetinha. Não quer fazer teu cocozinho? Eu quero fazer o meu – e fui botando e tirando o dedo de dentro da vagina bem devagar, sem pressa. Até que ouvi aquele ploft na agua do vaso. Cara, só de lembrar eu já começo a babar a cueca toda. Beijei a nuca dela e comecei a fazer força pra minha merda sair e a gente ficou assim bem colados, eu dando uns selinhos na orelha dela enquanto a merda começou a sair do meu cu, olha, só vivendo pra saber como é, já tava com uma cobra saindo da bunda e aí queria que ela tivesse uma saindo também, aí que eu falei to cagando, linda, to cagando,vamos largar juntinhos no vaso, faz força pra mim agora, vai. Comecei a tocar uma siririca forte e no final dei um apertão na barriga dela. Deu pra ver ela estremecer toda e soltar a bosta. Soltei junto e a minha piroca ficou tão dura que começou a espetar as costas dela, pedi pra ela levantar e levantei junto. No vaso tinha três montinhos, dois dela e um meu, fiquei louco, cara, só sabia dizer olha que lindo, a gente conseguiu, amor, e nessa hora pensei que a minha benga ia explodir, comecei a tocar a bronha olhando pro vaso e gozei por cima de tudo. Ela me olhava sem dizer nada então puxei a descarga, voltei pra cama com ela e vimos todo programa do Jô.

Depois dessa ela meio que entendeu qual é que era a minha e hoje não tem ruim. É aquele negócio que o meu primo falou, né. De acostumar a mulher e tal.  As vezes quando eu chego do serviço ela já chega falando pra mim:

– Vamos cagar de trenzinho hoje, meu amor?

AUGUSTA DECIDE VIVER

Eu comprei um daqueles gravadores antigos para comprovar que ela roncava, já que só assim ela acreditaria.  Dizer que roncava ou que um unicórnio tinha passado a noite pastando no carpete do quarto dava no mesmo, sabe. Ela era meio ver para crer.

“Sessenta e cinco”, um japinha disse. Sessenta e cinco reais. Quatro velocidades. Entrada para fita. Vários botões coloridos. Não entendi nada e guardei o troco no bolso da calça.

Coloquei o gravador sobre a mesa do lado da cama e dei uma disfarçada com uma pilha de revistas Veja. Assisti dois episódios de Breaking Bad com ela e fui dormir pensando na reação dela diante da minha prova concreta e indiscutível.

Descobri que eram peidos. Longos peidos, e não roncos.

Eu não conseguia parar de rir. Na verdade, eu não conseguia nem encontrar o botão para repetir a gravação. Depois que meu estômago parou de doer, comecei a pensar se deveria contar para ela. Peidos são piores que roncos, eu acho. Mais constrangedores. E depois fiquei me perguntando como é que eu nunca tinha notado nenhum cheiro de esgoto durante esse tempo todo.

Quando ela chegou com as compras do mercado, eu estava vendo a continuação de Breaking Bad. Tentei me manter sério, mas só conseguia pensar na frase “Augusta respirando pela bunda”. Desatei a rir e mostrei o áudio.

Não sei por que eu achei que ela fosse acreditar que a gravação era dela.

Ela não só não acreditou como ficou puta por eu estar assistindo aquele episódio sozinho. Aí resolvemos colocar o gravador na cama, entre nós dois. No dia seguinte foi ela que apertou o botão de reprodução.

Os barulhos estavam muito mais altos. Na verdade, era impossível confundir aquilo com ronco. Foi meio nojento, mas muito engraçado. Ela riu um pouco, e depois me mandou admitir que era eu quem estava fazendo os barulhos.  Jurei que não, mas sem esperar que ela me levasse a sério.

Ela só foi acreditar em mim naquela semana em que voltei para o interior para ver a minha mãe. Nunca perguntei o que fez ela a ligar o gravador antes de dormir sozinha, mas acho que foi para implicar comigo depois.

Dessa vez, ela acreditou. E foi ao médico.

Impressionante como as coisas que são muito engraçadas podem se tornar muito tristes, né? Era câncer.

Quando ela ligou, foi minha vez de não acreditar. Quando ela começou a falar de quimioterapia, peguei as chaves do carro.

Como o problema era no intestino, ela ia fazer a colostomia na sexta. Colostomia é um furo que fazem do lado da barriga para que a merda saia por lá, ao invés de sair pelo cu. Foi isso que ela me disse. Eu nem sabia que isso existia, mas resolvi não fazer muitas perguntas. Ela parecia nervosa.

 Quando ela voltou da sala de cirurgia, me disseram que tinham retirado um pedaço para análise e que tudo tinha ocorrido bem.

Em casa ela me mostrou o furo. E a bolsinha.

Basicamente, a merda fica saindo o tempo inteiro pelo furo, e é armazenada em uma bolsa plástica, que fica colada na barriga. Perguntei se ela queria ajuda “com tudo aquilo” e ela me disse que não. Perguntei quando saia o resultado da biópsia, e ela falou que não sabia.

Uma semana depois ela ainda não sabia.

Decidi não perguntar mais e achei que o melhor que podia fazer era manter a nossa vida mais normal possível, fora o sexo. Não queria que ela se sentisse obrigada a nada. O problema é que ninguém fala muito sobre o quão pode ser delicado ser companheiro de alguém com câncer. O corpo dela estava debilitado, mas o meu não. E por mais que eu estivesse triste, eu precisava dar aquela gozada.

Voltei a me sentir com treze anos de novo, batendo punheta durante o banho.

Até o sabonete eu comecei a encarar de forma diferente. Já lavava a cabeça da rola dando aquela ordenhada, e acabava gozando no ralo mesmo.

Não sei se ela sabia como eu andava me aliviando, mas se sabia, não parecia se importar. Na verdade, fora essa parte, nossa rotina continuava a mesma. Víamos Braking Bad, comíamos sanduíche de peito de peru sentados na cama e dormíamos abraçados. Era bom.

Óbvio que eu sentia falta de foder, mas ela era tão linda. Tipo, linda em tudo. Foi a primeira vez que eu me dei conta o quanto eu amava de verdade, eu acho. E isso me deixava um pouco triste, principalmente durante as bronhas, ou quando ela dava uma risada meio fanha que era esquisita e bonitinha.

Eu tava na punhetinha quando ela recebeu a ligação. Sei disso porque é fácil ouvir o telefone dentro do banheiro. Ela falou por muito tempo, eu acho. E comecei a ficar preocupado.

E aí entrou dentro do box comigo de roupa mesmo, e baixou a calça. Me mandou meter no rabinho. Eu nunca fui muito de comer cu, mas passei condicionador na bundinha e mandei ver. E comer aquela rabeta quentinha depois de tanto tempo na mão foi muito bom demais. Explodi quando comecei a ver as perninhas dela tremendo de gozo.

Virei ela de frente para mim e aí percebi a bolsinha. Estava inflada como um balão. Nos secamos na  mesma toalha, deitamos na cama e choramos muito. Não precisei perguntar sobre o telefonema.

Durante a madrugada, acordei com o pau quente. Era ela, mamando. Acendi a luz da cabeceira e perguntei se ela queria mesmo fazer aquilo. Ela respondeu cospindo na minha rola e punhetando mais rápido. Quando achei que ia gozar, ela veio com a boceta e encaixou no meu cacete.

Ela sentou, uma, duas, três vezes, e a bolsinha começou a inflar. E cada sentada, eu via aquela sacolinha plástica cada vez maior. Mais redonda Eu sentia o pau no útero. As unhas fincadas. Os gemidos dela virando gritinhos. Os olhos fechados. E a bolsa. Maior do que nunca, para lembrar que daquela foda não poderia nascer outra vida. Redonda como as tetas dela. Cada vez mais inflada. Cada vez mais.

Até desgrudar do corpo dela com um som úmido que me lembrou boceta encharcada.

O cheiro quente de merda impregnou o quarto. Ela arregalou os olhos e parou de sentar. Puxei ela pelos cabelos e meti a língua dentro daquela boca. Pouco me importava a merda líquida que saia do buraco da barriga. O lençol com pequenas poças marrons.  Enfiei a língua com mais força e ela voltou a rebolar no meu caralho.

Cada vez mais forte.

Cada vez mais rápido.

Ela deitou de lado e apontou o furo da barriga.

“Come, vai.”

Olhei pro meu cacete e para aquela merda toda.  Não pensei duas vezes.

Eu queria cada buraco dela.

 

VANISH PODER O2

Olha Gabriel, nessa vida eu só sei de duas coisas: Vanish poder O2 funciona e eu só não me matei até agora por causa do teu caralho. Então me perdoa quando eu te sussurro de madrugada que tu não me deixe, quando eu me aperto contra as tuas costas e inundo a tua camisa branca.

Porque Gabi: o teu cacete é o substituto pra arma que eu queria enfiar na minha boca. A tua porra é bala que eu queria que atravessasse no meu palato e a única coisa que me separa da forca é a tua língua na minha xota, porque é só nesse momento que o ventilador do teto deixa de ser um convite para o meu pescoço e passa a ser só mobília da casa.

Então não me deixa. Fica um pouco mais nessa cama que eu prometo rezar todos os dias pela tua rola, prometo ser devota das tuas bolas e chamar cada pentelho teu por um nome.  Goza pra mim, Gabriel, goza que cada enterrada na minha bunda é um corte a menos no meu pulso, que cada gemido teu é uma hora na cadeira do meu terapeuta, goza que o teu gozo é a hóstia que eu comungo todos as noites, cada espermatozoide teu é um grito de vida dentro dessa coisa morta que tu chama de boceta.

Goza, Gabriel. Goza pra mim. Goza em mim, goza nas cortinas, na cama, no tapete, goza nos meus olhos pra me ajudar a ver um mundo que eu não quero fazer parte. Goza em tudo, Gabriel, que depois de tu gozar eu vou por os lençóis na máquina com uma única certeza:

Vanish poder O2 funciona.

TOBA DO GATO

– Eu to pra ver. A praça ta ali ó, cheia de gente pra estuprar e os filhos da puta resolvem fazer o que? Comer o cu do meu gato. Bando de bicharoca. Tá rindo do que, Weldon?

– Nada, senhor
– Foi tu?
– Foi não, senhor.
– Então quem foi, hein? As putinhas não vão falar nada?
– Mas como é que o senhor sa…
-Como é que eu sei que comeram o Flufy? Por acaso gato caga sangue agora?
– Caga não, senhor.
– E tu caga sangue, Weldon?
– Cago não senhor.
– Quer começar a cagar?
– Não senhor.
– Não quer mas vai se não começar a falar. Quem foi?
– Quem foi o que?
– QUEM COMEU A PORRA DO CU DO MEU GATO!
– Não sei não, senhor.
– Ta certo. Já vi que com vocês não tem jeito, tem que tratar igual a bandido mesmo. Ta vendo esse celular? To ligando aqui ó, 191.
– Faz isso não seu Jader.
– Ah não faço? Na hora de enfiar a jeba pra dentro do bicho não pensaram duas vezes, não é? Já ta chamando aqui, ó.
– Foi o Maicon.
– Maicon?
– Me desculpa por favor seu Jader, por favor, eu tava carente.
-Tu vai é pedir desculpa pra toba do meu gato. Traz ele aqui, traz. Isso, levanta o rabo dele pra mim. Tá vendo o estrago? Chega mais perto, filho da puta. Ta vendo?
– To sim senhor.
– Ta vendo? Chega pertinho.
– Sim senhor.
– Agora pede desculpa então.
– Desculpa.
– Mais perto, vai.
– Desculpa.
– Tá adiantando alguma coisa? Tá vendo ele sarar?
-Ta não.
– Dá um beijinho.
– Desculpa.
-Dá um beijinho, vai.
– Desculpa por favor.
– Agora baixa as calças.
– Mas eu num…
– Eu mandei baixar as calças, filho de uma puta. Quer que eu chame os porco? Abre a bunda.
– Seu Jader…
– Abre mais a bundinha, abre.
– Eu imploro.
– Abre mais.
– Eu…
– Isso, bem abertinho pra mim. Tá doendo, é?
– Chega, por favor…
– Quer que eu pare?
– Quero.
– Quer mesmo?
– Sim, seu Jader
– Me diz uma coisa: tu gozou dentro do meu gato?
– (…)
– Gozou?
– Gozei.
– Ah é?
– Por favor.
– Mia pra mim.
– Eu…
– Mia, gatinho, mia. Mia pedindo leitinho.

E ele miou. Não sei quanto tempo o Maicon levou no rabo, mas podia levar por dez anos que o gato não ia sair da frente dele. Parecia que entendia tudo.