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RECADO PARA TUA BUNDA

Esse é um recado meu para o teu cu. Eu devia estar te falando isso diretamente mas sou covarde demais, nervosa demais e por isso falo para os outros. Tu é aquela diarréia que me faz subir cada degrau do ônibus com medo de peidar. Por isso agora vou te cagar e sentir alívio, vou imprimir nossas conversas e distribuir elas no engarrafamento da Bento Gonçalves, vou pagar meu suco na Lancheria do Parque falando alto sobre o teu rabo e cada vez que alguém me perguntar se eu estou bem vou dizer que eu só estou bem quando estou dentro do teu cu, não tem verdade maior que essa e por isso fiquem sabendo: eu amo comer teu rabo. As vezes eu fico distraída e quando vi já te comi mentalmente três vezes no dia, as vezes eu durmo na cama de outros e te mando boa noite por telepatia e as vezes penso em ti com tanta força que acho que tu vai te materializar de quatro encima da minha cama.

A verdade é que a perspectiva de te encontrar me frouxa as pregas e por isso eu uso os outros de penico. Preciso desabafar essa pressão horrível que é te desejar todos os dias mesmo dando a boceta para outros homens. Acima de tudo queria que a cidade soubesse que não consigo te superar e que mesmo nós estando separados tu é meu, absolutamente meu e que pra cada mulher ou homem que beijar a tua boca eu vou acender uma vela preta na encruzilhada da esquina aqui do bairro. Como sou precavida já escolhi a roupa que vou vestir nas próximas duas semanas, então não tem maneira de tu me encontrar sofrida. Já ensaiei duas reações para caso te veja no corredor: uma para caso tu estiver acompanhado e outra sozinho. Saiba que as duas são mais falsas do que o bom dia do Antônio.

Agora se por um acaso tu esteja lendo esse texto, se por algum golpe do destino tu estiver passando calor na frente desse notebook, baixe as calças desse pijama porque o recado a seguir não é para ser lido pelos teus lindos olhos verdes, e sim pelo  teu olho de baixo:

Estou com saudades.

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ONDE BOTAR HASHTAG

Mariana: eu tenho uma solução provisória para essa tua dor de chifre. E a solução é:

Pare de usar hashtag.

Não importa o quanto tu coloque #happiness e #joy nessa tua foto de balada. Todo mundo sabe que tu ta triste pra caralho. E mais: todo mundo sabe os motivos de tu estar triste pra caralho porque todos nós temos o Henrique no facebook. Sabe o que eu, teu chefe e a mulher do teu tio temos em comum?  Todos nós te achamos ridícula. Ou tu realmente acha que esse símbolo na frente de uma palavra vai fazer com que tu deixe de ser corna automaticamente? Lembre-se: você está em uma rede social e não em uma máquina do tempo. Postar #lovemylife hoje não anula a foto que teu ex postou ontem em gramado com a Jessica. Aproveitando que entramos nesse assunto eu gostaria de falar dessa tua mania de enfiar #gratidão em fotos em que tu está sentada na grama. Lamento dizer que a única gratidão que eu imagino nessa foto é a de existir mato o bastante para tu pastar. Sem falar que postar #fazerobem e sair queimando a tua colega de escritório pro chefe é muito escroto. Aliás, usar hashtag é muito escroto em qualquer circunstância, ou tu acha que Buda é menos grato na vida por não usar essa merda? Seguindo a tua lógica as irmãs carmelitas devem estar se coçando para pintar #gratidão #emCristo no altar, e convenhamos que isso não está acontecendo. No momento em que tu conseguir desgrudar desse teu iphone vista um casaquinho e vá atrás de um conselho meu que mudará a tua vida. O nome do conselho é Sex Boutique e fica na Salgado Filho. É só entrar la dentro, olhar para vendedora e pedir um DILDO. Anotou? Chegando em casa verifique se ele está devidamente higienizado e coloque na tua mesinha de cabeceira. Sempre que tu for acometida por uma vontade incontrolável de usar hashtag enfie o dildo no cu e pressione o botão vibrar. Aproveita e enfia esse negócio nesse rabo sempre que tiver vontade de falar mal da tua melhor amiga de infância.

Beijos, queridinha.

COELHA

Coelha, como é triste ser tão grande. Te digo que cada átomo meu  adora cada átomo teu, e nisso me sobram vários sem par. Sem ter saída ensebo minha rola e toco várias punhetas na esperança de vomitar as células que tenho a mais do que tu. E assim durmo feliz, mesmo sabendo que amanhã vou acordar triste porque meu saco vai ter produzido de novo cada excesso meu, meu corpo teimando em manter sempre igual a diferença entre nós e eu aqui chorando enquanto espero que tu me mande alguma mensagem bêbada, eu durmo e no meu sonho sou perfeito pra ti, nós somos aquele quebra cabeça de mil peças que montamos em Garopaba naquela tarde que choveu pra cacete.  Mas acordo e sou tão disforme, Coelha. Teus pés acabam onde começam os meus tornozelos e eu não sei o que fazer com esses vinte centímetros a mais que tenho por ti, não consigo te culpar por me amar menos do que te amo e por isso perdoo teus olhos na bunda de outros homens e escarro na pia do teu banheiro sabendo que cada mililitro de baba que vai pelo ralo me aproxima de ti, cada pedaço meu que se vai é um passo pra nos amarmos na mesma medida. Sei que é impossível que tu me ame assim e por isso choro pra cacete quando bebo, porra, cada lágrima que sai sendo reposta por litros de Heineken. Te aperto deitado sabendo que sou uma roupa grande demais que tu vai usar até encontrar outra, mas sabe de uma coisa?eu não consigo te largar te vendo aqui do meu lado. Logo logo o despertador vai tocar, vai ser seis da manhã e eu vou montar na tua cara e fazer tu engolir a minha porra, satisfeito em saber que por um minuto, só um minuto, eu vou estar enfiando o meu excesso de amor em ti.

BOM DIA, LUCIO

Lucio: são duas horas da manhã e tu ta aqui do meu lado. E eu vou te dizer que com esse cabelo todo no rosto tu parece uma criança. Eu olho pras tuas pernas encolhidas, puxo a coberta pra cima de ti e te digo boa noite. Mas o que eu queria te dizer mesmo é…

Me chama de puta.

Levanta dessa cama e me bota de quatro. Não, pera aí: antes disso vai até aquela gaveta, pega uma gravata e amarra ela na minha cara. Faz isso, faz. Me bota no chão que eu quero passar horas te procurando de boca aberta.Me chama de puta enquanto eu derrubo os móveis do quarto tentando encontrar a tua rola só pelo cheiro.

Porque eu vou te dizer uma coisa, Lu. Eu decorei a tua piroca. E pode ter certeza que enquanto o meu olho ta colado no professor na minha cabeça eu já repassei cada veia e cada sarda do teu pau. E que cada kinder ovo que eu ganhei na pascoa rivaliza com o gosto da tua porra. E tu sabe o que é pior?

Teu leite sempre ganha.

Então vem. Vem que a cabeça da tua rola foi feita para encaixar com o céu da minha boca. Vem que eu quero sentir o cheiro do teu cacete pelo quarto e ficar implorando pra que tu me foda. E eu te digo que poderiam ter dez caralhos aqui e que ainda sim eu ia saber reconhecer o teu. Vem me chamar de cadela enquanto eu te sigo latindo até a porta do banheiro. Vem que eu vou estourar todas as faltas da cadeira de segunda e mesmo assim vou jantar sorrindo com o gosto da tua porra na minha garganta.

Sabe porque, Lucio? Porque nada mais importa. Eu ajeito de novo a coberta por cima dos teus ombros mas tudo que eu queria era que tu acordasse e dissesse no meu ouvido:

Bom dia, puta.

APELO PARA DEUS

Oi… Deus, tá me ouvindo? Sou eu, Fernanda. Eu sei que o senhor deve saber meu nome, mas só pra garantir: aqui quem fala é Fernanda Pinotti Araujo, RG: 520 555-4, CPF: 018 839 800 22 falando diretamente do shopping Iguatemi de Porto Alegre. Eu sei que a gente não se fala há muito tempo, mas sinceramente, tu continuaria falando com alguém que visualiza todas tuas mensagens no whatsapp e não responde nenhuma? Se o senhor estiver escutando isso me faz o favor de olhar para o terceiro box à esquerda de quem entra no banheiro feminino e dizer que esse teste que eu tô segurando aqui é uma brincadeira. Sério. Eu aceitei tudo que tu me mandou até hoje: cândida, gardnerella, micose debaixo do sovaco…Mas isso aqui? Não! Na boa, Deus: fala comigo. Eu juro que não tô preparada. Lembra daquele pônei que eu te pedi aos cinco anos? Pode ficar com ele. Pode ficar com todos os pedidos que tu não me atendeu. É sério. Fica com aquele hamster que eu quis na oitava série. Fica com todos aqueles ônibus que eu te pedi pra chegarem no horário certo e depois tira da minha mão esse resultado. Mesmo. Senhor:  se esse teste for um falso positivo me envie um sinal. Faça alguém peidar no banheiro ao lado e eu saberei. Não vou falar pra ninguém que o senhor falou comigo e além disso vou virar devota de São Cristóvão pelo resto da minha vida. Vou parar de achar anões engraçados e nunca mais vou me masturbar e tocar no telcado em seguida. Estou esperando esse peido, Senhor. Interceda pela sua serva. Eu não posso ficar com essa coisa aqui dentro de mim. Mal tem espaço pro Big Mac que eu comi de almoço, e se tivesse, eu não ia querer mesmo assim. Eu sei que todos nós somos filhos do Senhor, mas ter uma criança é como ter um cachorro que nunca morre e o Senhor sabe mais do que ninguém como eu fiquei feliz quando a Mila morreu.  Sabe o que o senhor pode fazer? Tira esse positivo de dentro de mim e bota ela na mão de alguma mulher na África que já tenha oito filhos…Peide para mim, Senhor. Peide e eu vou saber que aqui dentro não tem uma lagartixa. Peide para mim e apartir de hoje eu fico mais lacrada  do que o cú de Maria. Amém.

JULIA

Nesse exato momento, Julia está cagando. A verdade universal é essa: toda mulher caga. Eu cago, vocês cagam, as irmãs de vocês cagam. Como Júlia, que nesse instante se encontra temporariamente ligada a agua da privada por um espesso fio de merda, tal como um bebê ligado a mãe. Provavelmente ninguém sabe que fazer cocô é uma atividade zen para ela, uma espécie de ritual que se inicia com a escolha da revista adequada e termina quando o ultimo submarino naufragar nas aguas do vaso. Pensando bem, talvez em uma sociedade diferente da nossa considerássemos bonita a cena que se passa no banheiro nesse exato momento, mas bem verdade é que o único espectador de Julia agora é Reynaldo Gianecchini segurando um relógio Swatch. Apertado firmemente nas suas mãos, nem Reynaldo propaganda, muito menos o Reynaldo carne e osso poderiam adivinhar que há poucas horas atrás Julia estava com a calcinha enterrada no cu no aeroporto Salgado Filho, sem previsão para alívio imediato em função do numero de pessoas ao seu redor, todas em busca da liberdade do cárcere aeroviário que aqui é entendida por suas respectivas malas. Quando já estava cogitando seriamente a possibilidade de dar só uma ajeitadinha por cima da calça, Julia vê sua mala. A alça falsamente anatômica se acopla rudemente aos seus dedos e ela faz a promessa pessoal de nunca mais comprar nada na Voluntários da Pátria. Trôpega para o lado em que carrega seus pertences, Julia caminha atrás de uma gorda loira para retirar seu carro do estacionamento. Enquanto conta o número de caspas do pescoço da moça, ela o vê. Não tem dúvidas de que seja ele, pois é adepta a teoria de que após ver um homem pelado várias vezes é possível reconhece-lo em quaisquer circunstancias. Subitamente uma onda de pequenos choques acomete os intestinos de Julia, que decide aumentar o passo rumo ao estacionamento, sempre olhando em direção oposta a dele. Ao apertar o terceiro andar do elevador, já esta sendo acometida por uma vontade sincera de peidar, mas é impossibilitada pela presença de um senhor grisalho que aperta o botão do quinto piso. Então uma nova meta é criada: peidar ao chegar no carro. Só faltam poucos passos, e Julia quase pode sentir a pressão anal se dissipando em forma de gás quando percebe que não está sozinha. Do lado do seu carro está ele. Milhares de frases de facebook começaram surgir em sua mente em forma de mantra, intercalados de desculpas plausíveis para não comparecer ao reencontro da faculdade que acontecerá de noite. Mas é tarde, é tarde para frases de superação e mais tarde ainda para inventar alguma frase inteligente, pois a boca dele se abre em:

–  eai…te vi ali na fila das malas, tudo bom? Vai hoje?

Tudo bom UMA MERDA, Julia está agonizando! Todo seu corpo está concentrado em apenas um doloroso ponto de pressão do seu corpo, toda Julia se resume em seu cu, Julia é seu cu, o mundo inteiro é o seu cu e tudo o que seu cu pede é: deixe-me ir. Sua boca se abre para responder Flávio, mas seu cu é mais rápido. Se algo vai abrir naquele corpo é ele, ah sim, é ele! Está indo, indo, indo!

Foi.

Com essa única resposta não verbal, entrou no seu carro. Aliviada, dirigiu até seu apartamento, encontrou a Veja da semana passada. Nesse exato momento, Julia está cagando.

TIAGO COM H

Ele era um brinquedo antigo que alguém tinha dado corda demais, então fazia todo sentido estarmos entrando escondidos naquele museu.

 – De que olho tu não enxerga?
– Desse – apontou o direito
– Tapa o esquerdo.
– Quê?
– Tapa o esquerdo.
– Mas aí eu não vou…

Tapei um olho dele enquanto o outro me olhava sem me ver. Cheguei mais perto e procurei a língua dele com a minha. Uma língua calma que não combinava com as pernas ansiosas. Ele me agarrou pela cintura por baixo da blusa. Mordeu meu lábio.

– Quero te ver.

Mordi a boca dele de volta, tirando uma das mãos da minha cintura e fazendo ele tapar o próprio olho.

– Ainda não.

Puxei ele para o chão e aquelas pernas começaram a se mexer, então montei nos joelhos dele e tirei minha blusa. Na minha frente um olho aberto e outro tapado resultando em um homem cego para quem eu acabava de abrir o fecho do sutiã. Dois peitos cegos de mamilos olhavam para ele. Dúzias de olhos empalhados olhavam para nós.

Ele me tocou com a mão livre e me sentiu sem blusa. Mão gelada contra costas quentes. Senti um arrepio e ofereci um dos peitos para aquela boca. Me embalei na sucção forte e ritmada pensando que no final das contas todos os homens são bebês quando estão com uma teta na boca. Ele puxou meu mamilo com mais força e depois começou a dar lambidinhas na ponta recém saída para fora.

Ainda mamada por ele baixei a calcinha com a ajuda da única mão que poderia fazer isso.  Tirei o peito da boca e envolvi o rosto dele com as coxas.

– Me olha.

Uma mão saiu de um olho e uma língua entrou dentro de mim. Apertei a minha vagina contra ele, cavalgando naquela língua e implorando mentalmente para que ele não parasse, eu pensava só mais uma sentada quando ele parou, apertou minhas coxas e começou a mamar meu clitóris, dois olhos castanhos nos meus olhos castanhos me deixando suada e louca para gemer o nome dele para as paredes, para os animais empalhados, para o mapa mundi do fundo da sala.

Então ele segurou pela bunda e me colocou de quatro. Na minha frente uma águia empalhada me encarava. Ouvi ele abrir o zíper mas não vi o pau. Queria conhecer ele, tocar nele, babar nele e por isso coloquei minha mão para trás procurando pela cabeça.

– Não.

E meteu na minha boceta. Gritei.

Pingos brancos escorriam da minha perna e manchavam o chão de madeira do Museu de Arqueologia e Etnografia da UFRGS.