FARELOS BRANCOS

Tô pra dizer que esses farelinhos de caspa na camisa dele me fazem lembrar que eu nunca vi neve, que fui nascer justo nessa cidade-cu que me congela o rabo todos os invernos sem fazer um floquinho, uma nevezinha, eu ligo a tevê e sou obrigada a ver esses cheira peido reclamando que hoje a neve suspendeu as atividades durante três dias, se eu acordasse e visse neve na janela eu nunca ia reclamar, muito pelo contrário, eu ia sair pela porta correndo e ficar uma foca no cio, ia agitar tanto meus braços que os vizinhos todos iam achar que eu sofro algum retardo mental, tu já viu neve? eu perguntei pra ele enquanto dava umas palmadinhas nos pedacinhos brancos que caíam nos ombros. Ele não me respondeu nada, continuou olhando pro além ou para aquela mosquinha da fruta que eu esmaguei ontem e não limpei, então eu aproveitei pra ir no banheiro para pegar um daqueles pentes bem fininhos, cheguei por trás e comecei a escovar a cabeça dele, nunca vi tanta caspa na vida e por isso voltei a pensar em gente rica e limpa fazendo guerras de neve nos seus jardins, gente rica tem jardim e tem problemas com neve, que problemão deve ser escolher o casaco certo pra sair, nossa, esses ricos são mesmo uns filhos de uma vagabunda suja, agora passando a escova cai tanta caspa que começa a juntar nos ombros, eu fico me perguntando se isso faz parte da doença e me lembro que esqueci de dar o remédio das sete, falo que já volto e aciono a tranca da cadeira de rodas dele, ando até a cozinha para amassar os comprimidos com uma colher enquanto sinto pena dele por ter uma família pão dura a ponto de não comprar os remédios em gotas, volto rápido para a sala e na corrida PLAFT! Chuto aquele banquinho indiano pela terceira vez na semana, meu dedão começa a doer pra cacete e eu derrubei todo remédio na minha calça, agora sinto pena dele e pena de mim por passar quinta, sexta e sábado cuidando de um velho caspento que não consegue nem engolir um remédio sozinho, o meu dedão começa a latejar e eu percebo que quebrei algum osso, nunca quebrei um osso antes mas tenho certeza que alguma coisa está muito fodida no meu pé, meu deus.

Volto para a sala e me sento do lado da cadeira de rodas, olho pra minha calça cheia de pó de remédio e começo a chorar, sei que vou sair daqui e ir direto pra fila de uma daquelas emergências de ossos, ortopedista é o nome eu acho, até eu sair de lá vai ser meia noite e eu não vou mais sair com José Carlos, o José Carlos vai achar que eu não quero mais ver ele e vai sair com outra, vai levar outra pra jantar e vai falar que viu a neve pra essa outra, ele nunca vai acreditar que eu quebrei o dedão do pé dando remédio pra esse velho caspento. Olho pro velho e ele continua com aquele olhar imbecil, pergunto pra ele se ele sabe o quanto eu me arrumei pra encontrar o José Carlos mesmo sabendo que ele não vai responder porra nenhuma, o velho continua olhando pra mosquinha na parede como se fosse a novela das oito, volto a olhar meu dedão e começo a ficar puta de verdade, vou ter que enfaixar esse pé e depois disso não sei como vou trabalhar subindo a escada da casa da velha que eu cuido terça, levanto e fico na frente da cadeira de rodas dele, TA SATISFEITO? Ta feliz agora que eu to fodida também? Eu começo a gritar e não paro mais, não acredito que to com vinte oito anos sendo babá de homem que usa fraldas, que eu passo a porra do final de semana medindo a pressão de uma planta, é isso que ele é, uma porra de uma planta caspenta que só sabe gastar rios de dinheiro da família, sabe o que eu faria com esse dinheiro? Eu ia pagar um curso de direito e nunca mais tocar em uma cabeça fedorenta na vida, começo a falar mais alto e acho que o velho está se encolhendo mas é impossível, ele não entende nada mesmo, continuo gritando, jogo o copo de água no chão, puta merda vou ser demitida, vou ser demitida  e aí sim não vou ter como pagar um curso pra sair desse buraco, começo a atirar todas as revistas no chão, meu dedão começa a latejar muito e eu choro ainda mais, olho pro velho e ele está olhando pra baixo, fez xixi nas calças, pelo fedor deve ter cagado também, olho para a tevê e vejo que está passando Esqueceram de mim 2, aquele pirralho está com uma pá tirando a neve da frente da casa, eu nunca vou ver a neve, NUNCA, começo a gritar e a babar mas agora já me sinto bem, muito bem, dá um alívio berrar assim e atirar as coisas no chão, agora que tudo se foda mesmo, vou ser demitida mesmo, destravo a cadeira de rodas e empurro ela até a porta dos fundos, o velho ta meio caído pro lado e olha pra frente como se visse alguma aparição, eu paro a cadeira na frente da escada de emergência, bem na beiradinha, abro o sinto de segurança dele e começo a empurrar as costas dele, bem devagar, a última coisa que eu vejo são as minhas mãos cheias de farelinhos brancos.

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FILHOTE

Quando eu tinha doze anos roubei uma fralda geriátrica da farmácia do meu bairro. Nunca mais roubei nada na vida. Estava com a minha mãe e lembro de estar fazendo muito frio na rua, acho que era julho ou agosto. Nós morávamos em um apartamento minúsculo que ficava em cima de uma galeteria. Eu não ficava sozinho ainda e minha mãe precisava comprar pasta de dente, então vesti um casaco por cima do pijama e pegamos o elevador. Naquela época era muito comum eu fazer isso de botar roupa por cima do pijama, talvez porque toda hora minha mãe inventava de sair pra fazer qualquer coisa e eu queria estar sempre junto. Quando chegamos na farmácia ela lembrou de mil outras coisas que queria comprar (minha mãe adorava farmácia) então fiquei andando entre as prateleiras olhando os desodorantes, até que vi uma fralda aberta naqueles suportes que fazem propaganda dos produtos. Do lado da fralda tinha a imagem de dois velhinhos sorridentes em uma praia. Puxei a fralda do suporte e coloquei debaixo do meu casaco.

Até hoje não lembro de ter ficado tão nervoso quanto eu fiquei na hora que passamos pelo detector magnético da saída. Não consigo me lembrar de nada que minha mãe falou até chegarmos no elevador. Sei que quando entrei no quarto tranquei a porta com cuidado (raramente trancava) e coloquei a fralda encima da cama. Fiquei um tempão lá, só olhando para ela. Alguma hora criei coragem e resolvi tirar a minha calça. Até eu colocar a fralda demorou mais uma meia hora. Não queria que a minha mãe escutasse o barulhinho estranho que as fitas colantes faziam. Me lembro de ter colocado ela e ter ficado de pau duro. Levantei a andei pelo quarto sentindo o tecido macio da fralda em contato com as minhas bolas. Queria me ver, mas não tinha espelho no quarto e andar até o banheiro seria muito arriscado.

Guardei a fralda embaixo da cama e destranquei a porta. Levou um bilhão de anos até terminar a novela. Quando finalmente começou a tocar a música dos créditos ouvi a minha mãe desligar a tv na sala. Ela andou até meu quarto e me deu boa noite. Esperei outra eternidade até escutar silêncio no quarto dela. Me levantei, vesti a fralda (novamente duro) e fui para frente do espelho do banheiro. Subi no vaso para me olhar de costas e continuei duro, muito duro. Me olhei de todos os ângulos e comecei a ficar eufórico de verdade. Voltei para o quarto engatinhando. Hoje quando me lembro disso vejo o quando eu fui louco de me arriscar a ser pego de quatro andando pelo corredor com uma fralda geriátrica na bunda.

Fechei a porta do quarto e subi na cama. “Vou mijar”, pensei. E fiquei mais duro. Não ia conseguir mijar daquele jeito e cada vez que pensava em molhar a fralda começava a latejar mais. Então meti a mão pra dentro e puxei a pele para trás, esfregando a cabeça da rola no algodão. Lembro de ficar passando o pau em todas as partes da fralda. Macia. Quentinha. Gozei. Deitei de lado com o coração dando pulos. Hora do nenê fazer xixi. Relaxei a bexiga e senti a fralda absorver os dois copos de agua que tinha tomado depois da janta. Levantei da cama para sentir melhor o peso da fralda encharcada.

Passei anos juntando o dinheiro da merenda para comprar fraldas geriátricas AdultHealth tamanho M. Claro que morando sozinho as coisas melhoraram muito. Não preciso esconder pacotes no fundo do armário nem sair com fraldas sujas dentro da mochila (nunca usei o lixo de casa). Tenho a geladeira cheia de papinha e leite sem lactose. Claro que esperar todos os dias para chegar em casa e fazer pipi é um pouco perigoso. Tem dias que não consigo segurar e faço no carro. Nesses dias choro no estacionamento e depois mando lavar tudo. Quando andava de ônibus era pior.

 Mas já me acostumei. Afinal, sou só um filhote.

RECADO PARA TUA BUNDA

Esse é um recado meu para o teu cu. Eu devia estar te falando isso diretamente mas sou covarde demais, nervosa demais e por isso falo para os outros. Tu é aquela diarréia que me faz subir cada degrau do ônibus com medo de peidar. Por isso agora vou te cagar e sentir alívio, vou imprimir nossas conversas e distribuir elas no engarrafamento da Bento Gonçalves, vou pagar meu suco na Lancheria do Parque falando alto sobre o teu rabo e cada vez que alguém me perguntar se eu estou bem vou dizer que eu só estou bem quando estou dentro do teu cu, não tem verdade maior que essa e por isso fiquem sabendo: eu amo comer teu rabo. As vezes eu fico distraída e quando vi já te comi mentalmente três vezes no dia, as vezes eu durmo na cama de outros e te mando boa noite por telepatia e as vezes penso em ti com tanta força que acho que tu vai te materializar de quatro encima da minha cama.

A verdade é que a perspectiva de te encontrar me frouxa as pregas e por isso eu uso os outros de penico. Preciso desabafar essa pressão horrível que é te desejar todos os dias mesmo dando a boceta para outros homens. Acima de tudo queria que a cidade soubesse que não consigo te superar e que mesmo nós estando separados tu é meu, absolutamente meu e que pra cada mulher ou homem que beijar a tua boca eu vou acender uma vela preta na encruzilhada da esquina aqui do bairro. Como sou precavida já escolhi a roupa que vou vestir nas próximas duas semanas, então não tem maneira de tu me encontrar sofrida. Já ensaiei duas reações para caso te veja no corredor: uma para caso tu estiver acompanhado e outra sozinho. Saiba que as duas são mais falsas do que o bom dia do Antônio.

Agora se por um acaso tu esteja lendo esse texto, se por algum golpe do destino tu estiver passando calor na frente desse notebook, baixe as calças desse pijama porque o recado a seguir não é para ser lido pelos teus lindos olhos verdes, e sim pelo  teu olho de baixo:

Estou com saudades.

ONDE BOTAR HASHTAG

Mariana: eu tenho uma solução provisória para essa tua dor de chifre. E a solução é:

Pare de usar hashtag.

Não importa o quanto tu coloque #happiness e #joy nessa tua foto de balada. Todo mundo sabe que tu ta triste pra caralho. E mais: todo mundo sabe os motivos de tu estar triste pra caralho porque todos nós temos o Henrique no facebook. Sabe o que eu, teu chefe e a mulher do teu tio temos em comum?  Todos nós te achamos ridícula. Ou tu realmente acha que esse símbolo na frente de uma palavra vai fazer com que tu deixe de ser corna automaticamente? Lembre-se: você está em uma rede social e não em uma máquina do tempo. Postar #lovemylife hoje não anula a foto que teu ex postou ontem em gramado com a Jessica. Aproveitando que entramos nesse assunto eu gostaria de falar dessa tua mania de enfiar #gratidão em fotos em que tu está sentada na grama. Lamento dizer que a única gratidão que eu imagino nessa foto é a de existir mato o bastante para tu pastar. Sem falar que postar #fazerobem e sair queimando a tua colega de escritório pro chefe é muito escroto. Aliás, usar hashtag é muito escroto em qualquer circunstância, ou tu acha que Buda é menos grato na vida por não usar essa merda? Seguindo a tua lógica as irmãs carmelitas devem estar se coçando para pintar #gratidão #emCristo no altar, e convenhamos que isso não está acontecendo. No momento em que tu conseguir desgrudar desse teu iphone vista um casaquinho e vá atrás de um conselho meu que mudará a tua vida. O nome do conselho é Sex Boutique e fica na Salgado Filho. É só entrar la dentro, olhar para vendedora e pedir um DILDO. Anotou? Chegando em casa verifique se ele está devidamente higienizado e coloque na tua mesinha de cabeceira. Sempre que tu for acometida por uma vontade incontrolável de usar hashtag enfie o dildo no cu e pressione o botão vibrar. Aproveita e enfia esse negócio nesse rabo sempre que tiver vontade de falar mal da tua melhor amiga de infância.

Beijos, queridinha.

COELHA

Coelha, como é triste ser tão grande. Te digo que cada átomo meu  adora cada átomo teu, e nisso me sobram vários sem par. Sem ter saída ensebo minha rola e toco várias punhetas na esperança de vomitar as células que tenho a mais do que tu. E assim durmo feliz, mesmo sabendo que amanhã vou acordar triste porque meu saco vai ter produzido de novo cada excesso meu, meu corpo teimando em manter sempre igual a diferença entre nós e eu aqui chorando enquanto espero que tu me mande alguma mensagem bêbada, eu durmo e no meu sonho sou perfeito pra ti, nós somos aquele quebra cabeça de mil peças que montamos em Garopaba naquela tarde que choveu pra cacete.  Mas acordo e sou tão disforme, Coelha. Teus pés acabam onde começam os meus tornozelos e eu não sei o que fazer com esses vinte centímetros a mais que tenho por ti, não consigo te culpar por me amar menos do que te amo e por isso perdoo teus olhos na bunda de outros homens e escarro na pia do teu banheiro sabendo que cada mililitro de baba que vai pelo ralo me aproxima de ti, cada pedaço meu que se vai é um passo pra nos amarmos na mesma medida. Sei que é impossível que tu me ame assim e por isso choro pra cacete quando bebo, porra, cada lágrima que sai sendo reposta por litros de Heineken. Te aperto deitado sabendo que sou uma roupa grande demais que tu vai usar até encontrar outra, mas sabe de uma coisa?eu não consigo te largar te vendo aqui do meu lado. Logo logo o despertador vai tocar, vai ser seis da manhã e eu vou montar na tua cara e fazer tu engolir a minha porra, satisfeito em saber que por um minuto, só um minuto, eu vou estar enfiando o meu excesso de amor em ti.

BOM DIA, LUCIO

Lucio: são duas horas da manhã e tu ta aqui do meu lado. E eu vou te dizer que com esse cabelo todo no rosto tu parece uma criança. Eu olho pras tuas pernas encolhidas, puxo a coberta pra cima de ti e te digo boa noite. Mas o que eu queria te dizer mesmo é…

Me chama de puta.

Levanta dessa cama e me bota de quatro. Não, pera aí: antes disso vai até aquela gaveta, pega uma gravata e amarra ela na minha cara. Faz isso, faz. Me bota no chão que eu quero passar horas te procurando de boca aberta.Me chama de puta enquanto eu derrubo os móveis do quarto tentando encontrar a tua rola só pelo cheiro.

Porque eu vou te dizer uma coisa, Lu. Eu decorei a tua piroca. E pode ter certeza que enquanto o meu olho ta colado no professor na minha cabeça eu já repassei cada veia e cada sarda do teu pau. E que cada kinder ovo que eu ganhei na pascoa rivaliza com o gosto da tua porra. E tu sabe o que é pior?

Teu leite sempre ganha.

Então vem. Vem que a cabeça da tua rola foi feita para encaixar com o céu da minha boca. Vem que eu quero sentir o cheiro do teu cacete pelo quarto e ficar implorando pra que tu me foda. E eu te digo que poderiam ter dez caralhos aqui e que ainda sim eu ia saber reconhecer o teu. Vem me chamar de cadela enquanto eu te sigo latindo até a porta do banheiro. Vem que eu vou estourar todas as faltas da cadeira de segunda e mesmo assim vou jantar sorrindo com o gosto da tua porra na minha garganta.

Sabe porque, Lucio? Porque nada mais importa. Eu ajeito de novo a coberta por cima dos teus ombros mas tudo que eu queria era que tu acordasse e dissesse no meu ouvido:

Bom dia, puta.

APELO PARA DEUS

Oi… Deus, tá me ouvindo? Sou eu, Fernanda. Eu sei que o senhor deve saber meu nome, mas só pra garantir: aqui quem fala é Fernanda Pinotti Araujo, RG: 520 555-4, CPF: 018 839 800 22 falando diretamente do shopping Iguatemi de Porto Alegre. Eu sei que a gente não se fala há muito tempo, mas sinceramente, tu continuaria falando com alguém que visualiza todas tuas mensagens no whatsapp e não responde nenhuma? Se o senhor estiver escutando isso me faz o favor de olhar para o terceiro box à esquerda de quem entra no banheiro feminino e dizer que esse teste que eu tô segurando aqui é uma brincadeira. Sério. Eu aceitei tudo que tu me mandou até hoje: cândida, gardnerella, micose debaixo do sovaco…Mas isso aqui? Não! Na boa, Deus: fala comigo. Eu juro que não tô preparada. Lembra daquele pônei que eu te pedi aos cinco anos? Pode ficar com ele. Pode ficar com todos os pedidos que tu não me atendeu. É sério. Fica com aquele hamster que eu quis na oitava série. Fica com todos aqueles ônibus que eu te pedi pra chegarem no horário certo e depois tira da minha mão esse resultado. Mesmo. Senhor:  se esse teste for um falso positivo me envie um sinal. Faça alguém peidar no banheiro ao lado e eu saberei. Não vou falar pra ninguém que o senhor falou comigo e além disso vou virar devota de São Cristóvão pelo resto da minha vida. Vou parar de achar anões engraçados e nunca mais vou me masturbar e tocar no telcado em seguida. Estou esperando esse peido, Senhor. Interceda pela sua serva. Eu não posso ficar com essa coisa aqui dentro de mim. Mal tem espaço pro Big Mac que eu comi de almoço, e se tivesse, eu não ia querer mesmo assim. Eu sei que todos nós somos filhos do Senhor, mas ter uma criança é como ter um cachorro que nunca morre e o Senhor sabe mais do que ninguém como eu fiquei feliz quando a Mila morreu.  Sabe o que o senhor pode fazer? Tira esse positivo de dentro de mim e bota ela na mão de alguma mulher na África que já tenha oito filhos…Peide para mim, Senhor. Peide e eu vou saber que aqui dentro não tem uma lagartixa. Peide para mim e apartir de hoje eu fico mais lacrada  do que o cú de Maria. Amém.